O JOVEM KARL MAX (2017).

Enviado por admin em qua, 11/15/2017 - 11:43
O Jovem Karl Marx é um filme rigorosamente indispensável para que possamos discutir este nosso atual momento de turbulência política, racial e de conflitos de classes.

Neste ano de 2017 em que a obra de Karl Marx  “O Capital” faz 150 anos, o cineasta haitiano Raoul Peck resolveu lançar um filme chamado O Jovem Karl Marx. Mas, a abordagem do filme precede o lançamento da obra que se tornou referência política e econômica. O curioso é que uma personalidade tão referencial quanto Karl Marx, somente agora a indústria cinematográfica ocidental lança um filme sobre sua figura, talvez seja pelo fato da historia dele incomodar tanto o pensamento ocidental até os dias de hoje.  Um dos aspectos que mais despertam a atenção era a sua capacidade de confrontar as mentes mais brilhantes do seu século. Em tempos de Reforma Trabalhista e mudança na pirâmide social, além das próprias dificuldades de se aceitar a complexidade das questões sociais, o filme é um instrumento poderoso de reflexão permitindo quantificar que, se por um lado evoluímos, de outra parte regredimos, pois se fala ainda hoje em trabalho escravo. Foi nesse momento retratado pelo filme que Karl Marx reforça sua crença de que o capital é trabalho morto, um vampiro que só sobrevive sugando o trabalho vivo. O filme mostra a importância que Engels e a esposa de Marx, Jeanny, tiveram no seu crescimento e engajamento na luta para o fortalecimento do movimento socialista internacional. O ator August Diehl tem um desempenho notável vivendo Karl Marx. Também a atriz Vicky Krieps no papel de Jeanny, a esposa de Marx, marca presença de forma acentuada.

O filme de Raoul Peck se mostra mais atual do que nunca, principalmente num mundo onde as forças conservadoras e as lutas de poder radicalizam o ambiente político em todo o mundo. Marx para defender suas idéias e o direito de continuar escrevendo, teve que se exilar na França. Mas a perseguição política não permitiu que ele pudesse continuar empunhando a sua bandeira contra os oprimidos, procurando refúgio na Bélgica, que curiosamente acabou também sendo refúgio para o ex-presidente da Catalunha,Carles Puigdemon.  

O Jovem Karl Marx é um filme rigorosamente indispensável para que possamos discutir este nosso atual momento de turbulência política, racial e de conflitos de classes.

Uma trilha sonora  sóbria composta pelo violinista russo Alexei Aigui que tem trabalhado com o cineasta Raoul Peck. O colorido especial no final vem com as imagens de eventos econômicos e políticos do século XX ilustrados pela canção estampando a rebeldia com Bob Dylan cantando Like a Rolling Stones.